“Como ela é linda!”, ele disse.
Ela já a tinha visto muitas vezes antes.
Se conheciam.
Até tinham trocado algumas palavras, mas ele nunca tinha notado nela algo que lhe chamasse a atenção.
Nada demais. Nada de menos.
Mas naquele dia em especial seu queixo caiu. Ele estava bobo. Embasbacado. Ou melhor, naquela noite.
Naquela noite quando seus olhos se encontraram ele sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Algo diferente tinha acontecido.
E após isso ele não mais conseguia desviar seu olhar dos olhos castanhos e magnéticos daquela mulher.
Sentaram na mesma mesa de amigos em comum. Papo casual. Small talk.
Ele enfeitiçado.
Ela indiferente.
Ele intrigado.
Ela natural.
“Mas por quê?”, pensou, “Por que de uma hora para outra ela passou de coadjuvante à femme fatale no meu enredo?”
O que ele não sabia até então, mas viria a descobrir nesta noite, é que toda mulher tem esse poder.
O poder de chamar a atenção de um homem quando assim desejar.
Se for sua vontade ela pode passar despercebida, camuflada em seu habitat como um camaleão que se esconde de seu predador.
Mas se, por outro lado, ela desejar que você não só a note, mas que também a deseje e até sofra por ela. Ela o faz. Sem maiores dificuldades.
E assim foi.
Ela acendeu nele a paixão por pura maldade.
Por vaidade.
Por luxúria.
Por esporte.
Ele caiu feito um patinho.
Patinho feio.
E como na história do patinho ele foi rejeitado.
Triste modo de aprender que nós homens somos meros fantoches nas mãos das poderosas mulheres.
Afinal, elas tem o poder de nos encantar;
Ou destruir;
Quando assim quiserem;
Como em um passe de mágica.
Faz pelo menos uma semana do acontecido e ele ainda se surpreende repetindo para si mesmo, baixinho: “Como ela é linda! Como ela é linda!”
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